Novo pónei no estábulo

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Sempre prometi que não, e que tirar fotografias ao céu seria sempre uma tarefa secundária. Mas, depois de ter um maksutov de 90mm, numa montagem azimutal GoTo da Skywatcher, acompanhado por um dobson de 200mm da mesma marca exclusivamente para uso visual, havia muitas coisas no meu material que não me satisfaziam. Acima de tudo, o meu problema é o espaço exíguo que tenho para trabalhar (um quadrado de 70 cms de lado) e, mesmo que a montagem dobsoniana do 200mm me permitisse alguma flexibilidade, a verdade é que o telescópio mais utilizado aqui em casa era o humilde 90mm: pequeno, leve, encontrava tudo o que lhe pedisse e, se calhar o ponto mais importante, não se portava mal a fazer o acompanhamento de objectos no céu. Tanto para fotografia como para visual, as minhas escadas de incêndio não suportavam coisa muito maior. Apesar disso, a minha (já saudosa) montagem azimutal também se revelava insuficiente para sonhar com fotografia de espaço profundo com mais de 20 segundos de exposição e, mesmo na planetária não poderia pedir-lhe muito mais antes que se comece a notar rotação de campo.

Os critérios e a decisão
Então a decisão estava tomada: começando pela base (tripé e montagem), o projecto seria criar um conjunto de equipamentos leves e compactos que me permitissem, nesta ordem de prioridades:
1. abertura adequada para uso visual;
2. flexibilidade de transporte;
3. fotografia planetária;
4. fotografia de espaço profundo.
Sendo que a maior parte das pessoas a quem poderia pedir ajuda usam EQ5´s e semelhantes, a montagem era uma decisão óbvia: a irmã mais pequena, a NEQ3, com SynScan. Não terei uma rocha, mas é o mais próximo que posso almejar tendo em conta que com a NEQ5 nem me consigo mexer no posto de observação. Para o tubo óptico, a solução também era simples: com a NEQ3 como base posso escolher qualquer instrumento que ali caiba. Para já, e como tenho andado interessado em planetária, investi primeiro num maksutov f/11 da Skywatcher de 127mm. A diferença de preço para um SCT de 150, mesmo que venha a comprar um redutor para este mak (e assim ter que comprar um adaptador para SCT) não me pareceu justificável e optei pela hipótese mais barata. Mais tarde conto comprar um tubo refractor curto e com isso iniciar-me na astrofotografia de céu profundo, com um setup capaz de (quase) tudo.
Essencial para este projecto foi a colaboração da Astrofoto, e do Sr.Raimundo, que conseguiu oferecer-me belíssimas condições para tudo isto e, em vez de ir realizando o meu upgrade por etapas, possibilitou-me ir buscar o conjunto da EQ3 mais o 127mm de uma só vez.

First light
Claro que as nuvens se instalaram durante uns dias depois de chegarem os meus dois novos brinquedos, mas pouco tempo depois consegui finalmente montar tudo no posto e começar os ensaios. As dificuldades foram bastantes mas não foram menos graves do que os primeiros tempos com a minha anterior montagem. Não tenho estrela polar no meu horizonte e ainda não aprendi a fazer o alinhamento por deriva, não tenho ainda noção de todos os movimentos do telescópio e o processo de alinhamento do GoTo demorou quase uma hora de tentativas goradas. Mas a culpa não era do equipamento: ao usar diferentes estrelas de alinhamento, o tubo colocava-se nas mais complicadas posições e eu não conseguia chegar sequer à ocular sem bater no tripé de forma violenta. Não há problema: nas futuras sessões já serei capaz de prever tudo isso e posicionar melhor o tripé.
Resolvido o alinhamento, o resultado foi excelente: em todos as instruções de GoTo, o objecto escolhido caía no espaço de uma ocular de 25mm sem falhar. O acompanhamento dos objectos, em virtude de ainda não ter afinado nada com a polar, revelou-se mais fraco e, passados uns minutos, o objecto saía do campo.
Visualmente, o tubo revelou-se excelente. Estou francamente satisfeito: notei claras diferenças de tonalidades nas cores das estrelas de M41, M3 e M53 aparecem nebulosos mas a Lua estava perto o suficiente para até o 8″ não ser eficaz, e M42 apresentava pormenores muito bem definidos (atrevo-me mesmo a dizer que alguns não os via no 8″, e que aqui tenho mais contraste). Infelizmente, e apesar de a sua luz marcar bem o céu nesta noite, a Lua já está no horizonte oposto e vou ter que esperar por nova oportunidade para ver este mak a fazer o que, supostamente, faz melhor.

Feliz? Sim, estou muito.

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