Clarke estava errado…

Júpiter tem uma composição muito semelhante a uma estrela, sendo predominantemente constituído por hélio e hidrogénio. Mas, para que o nosso sistema solar tivesse nascido como um sistema binário, teria sido necessário que Júpiter tivesse uma massa cerca de 80 vezes maior, de forma a obter a densidade e pressão no núcleo para ser capaz de iniciar uma fusão nuclear. Apesar disso, durante as primeiras centenas de milhões de anos, terá brilhado como uma pequena estrela. Visto da terra teria um brilho 100 vezes maior ao da Lua, mas 100 vezes menor do que o Sol. Se Júpiter tivesse obtido uma massa superior, o seu poder gravitacional teria provocado mudanças de grande monta no nosso sistema, com impacto na formação das órbitas de todos os restantes planetas e, muito provavelmente, tornando impossível a vida na Terra.

…e no entanto!
Apesar de não estar perto da massa necessária para iniciar fusão, Júpiter é mesmo assim um emissor de energia. De acordo com a distância ao Sol, calculou-se uma temperatura de 105 K para o topo das nuvens de Júpiter, o que indicaria que o planeta emitiria de volta para o espaço exactamente a mesma quantidade de energia recebida do Sol. Contudo, observações rádio e IR e, mais tarde, as sondas Voyager e Galileo, demonstraram que era de 125 K. Apesar de ser uma diferença relativamente pequena, Júpiter tem que obedecer às leis de emissão e conservação de energia e estas indicam-nos que a energia radiada por um planeta é igual à quarta potência da temperatura da superfície. Assim, um planeta a 125 K radia 244.140.625u e um com 105 K radia 121.550.625u, cerca de metade, o que nos indica que Júpiter tem necessariamente que ter uma fonte interna de calor. Pensa-se que este fenómeno seja devido à lenta fuga de energia gravitacional libertada durante o processo de formação do planeta. Com base na massa e temperatura, estima-se que esta fuga esteja a decorrer à taxa de apenas um milionésimo de grau Kelvin por ano.

Radiação
As emissões de rádio provenientes de Júpiter deram-nos as primeiras pistas de que o planeta teria um forte campo magnético e uma enorme Magnetoesfera. Primeiro identificadas na década de 50, as emissões de rádio de Júpiter foram relacionadas com o alinhamento de certas longitudes com o meridiano central do planeta, até que em 1964 foram finalmente associadas com a passagem de Io por posições orbitais específicas.
A seguir ao Sol, Júpiter é o maior emissor de raio-x do nosso sistema, apresentando uma estrutura muito complexa que parece basear-se em quatro fontes diferentes de emissão: as zonas de auroras de alta latitude, o disco de Júpiter, o ringue de plasma de Io e as luas de Galileu. O fenómeno deve-se à interacção entre electrões, protões, iões, átomos neutros e campos electromagnéticos, que têm o seu pico em frequências elevadas.

Magnetosfera
Em volta de Júpiter encontramos uma vasta zona de partículas fortemente energéticas, protões e electrões na sua maioria, semelhante à cintura de Van Allen, mas vários milhares de vezes mais intensa. Esta camada é gerada pela aceleração das partículas a velocidades próximas das da luz, em virtude do forte campo magnético do planeta, e é extremamente perigosa para máquinas e seres humanos. Com um diâmetro de cerca de 30 milhões de quilómetros, a Magnetoesfera é empurrada pelos ventos solares e prolonga-se até Saturno.

Auroras
Perto dos pólos magnéticos do planeta, iões e electrões provenientes da Magnetoesfera descem até à ionoesfera e criam as mais poderosas auroras do nosso sistema solar. A energia para formar estes fenómenos deverá vir da rotação do planeta e dos ventos solares, enquanto na Terra as auroras são geradas pela interacção do vento solar com a nossa Magnetoesfera.

Relâmpagos
Na Terra, os relâmpagos ocorrem de duas formas: com descargas de nuvem para nuvem ou da nuvem para o chão. Sendo que não há uma superfície sólida em Júpiter, as descargas neste planeta ocorrem de nuvem para nuvem, nas latitudes mais elevadas, e resultam em choques dez ou mais vezes poderosos do que na Terra. Sendo que estas descargas ocorrem entre nuvens de água, através da sua observação podemos inferir alguns dados sobre a sua profundidade e abundância.

Referências:
“Stars and Planets”, Giles Sparrow
“Turn left at Orion”, Guy Consolmagno e Dan M. Davis
“Astronomy Today”, 7ª ed, de Chaisson e McMillan
“Jupiter and How to Observe It”, John W. McAnally

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