Galileo e o telescópio

O Telescópio foi uma invenção holandesa, mas Galileu ouviu falar do conceito, construiu o seu próprio instrumento e apontou-o para o céu. Começou com um telescópio de 3x e o máximo que construiu foi um de 30x, sendo que a maior abertura que utilizou foi de 1,5″ de diâmetro. Tendo em conta a qualidade da óptica da época e as muito reduzidas dimensões com que trabalhou, os resultados de Galileo foram assombrosos.

Ao olhar para a Lua, verificou que esta tem montanhas, vales e crateras. Como tal, e como sabemos também acontecer na Terra, essa constatação obriga a que tenham havido alterações na sua superfície, o resultado do passar do tempo, uma ideia que quebrava o dogma de os céus serem perfeitos e imutáveis. Os seus detractores responderam que isso era devido à proximidade do nosso planeta, e que eram as influências perversas da Terra que tornavam “imperfeita” a sua vizinha tão próxima.

No Sol detectou manchas que mudavam de posição, indiciando que a estrela teria um movimento de rotação e que não era, com certeza, o objecto perfeito que o dogma queria fazer crer.

Ao ver Saturno, a qualidade das suas ópticas não lhe permitiu descobrir mais do que uma forma estranha, nem sempre evidente, mas que Galileo pensou poder ser um planeta triplo.

E, ao apontar o telescópio para a faixa visível da Via Láctea, apercebeu-se que eram milhares de estrelas difusas que criavam aquela zona luminosa. Em poucos segundos, multiplicou o número de estrelas conhecidas exponencialmente.

Em Júpiter encontrou mais uma peça do puzzle, quando reconheceu a existência e a movimentação de quatro luas em volta do planeta. Havia coisas a orbitar outros objectos que não a Terra! E não ficavam para trás enquanto Jove orbitava! As luas Mediceanas (gesto político para com os Medici) obedeciam a qualquer outra coisa que não era a Terra.

Mas apontar o telescópio para Vénus seria a machadada final na anterior cosmologia: num sistema geocêntrico não é possível que Vénus passe por todas as fases que Galileo conseguiu observar. Correctamente, Galileo deduziu que, com a Terra no centro, o movimento de Vénus só nos permitiria ver o planeta até à fase crescente. A fase cheia só pode acontecer quando o planeta está do outro lado do Sol, o que não é possível com a Terra ao centro. O facto de acompanhar sempre o Sol, implica também que teria que estar noutra órbita que não era possível com o sistema geocêntrico.

Aos 70 anos, em 1633, Galileo foi condenado a prisão domiciliária pela Igreja Católica (que cumpriu até ao fim da sua vida) e a renegar todas as suas descobertas, até que em 1992 a instituição reabilitou oficialmente o nome do astrónomo.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s