O céu “aparente” e o que entendemos por Esfera Celestial

A Esfera Celestial

Para nos orientarmos no céu, recorremos a uma impressão visual que não corresponde à realidade, mas que facilita o entendimento das posições relativas dos objetos. Podemos imaginar-nos como se estivéssemos na parte interior do globo terrestre, e o conjunto de todas estrelas e a forma como se organizam bidimensionalmente no céu, formam a Esfera Celestial.
Na Esfera Celeste podemos identificar os pontos de intersecção com o eixo de rotação da Terra como Pólo Sul Celeste e Pólo Norte Celeste. O equador celeste é a linha que divide as partes Norte e Sul da Esfera Celestial. Os meridianos da esfera são as linhas que vão de um ao outro pólo celeste, de forma perpendicular ao equador celeste.

Para identificarmos a posição dos objetos celestiais recorremos a um sistema de medição baseado em graus:
. O círculo é dividido em 360 graus;
. Cada grau divide-se em 60 arc-minutos (ou minutos de arco)
. Cada minuto de arco divide-se em 60 arc-segundos (ou segundos de arco)
Como exemplo podemos citar que o tamanho angular da Lua e do Sol é de cerca de meio grau, ou seja 30 minutos de arco. Com estas unidades, conseguimos medir distâncias e tamanhos aparentes na Esfera Celestial, e são a base do sistema de coordenadas equatorial que nos permite situar objetos:
. A Declinação mede-se em graus e é como latitude (conta-se a partir do equador), a norte ou sul do equador celestial, estendendo o eixo da terra até ao infinito. Valor positivo a norte, negativo a sul.
. A Ascensão Reta é medida em tempo: horas, minutos e segundos. Medido para Este a partir do ponto de Equinócio Vernal. Esse é o ponto zero. É semelhante a longitude (conta-se a partir do meridiano). Esta coordenada está definida de forma a que a cada hora do relógio, corresponda um movimento da esfera celeste de uma hora da Ascensão Recta.
Este sistema é prejudicado pelo fenómeno de precessão da Terra e obriga a que as coordenadas sejam rectificadas regularmente (períodos a que chamamos “épocas”). Actualmente, trabalhamos com coordenadas publicadas no ano 2.000.

Contudo, se o observador considerar como pólos o ponto acima da sua cabeça (zénite) e o ponto abaixo dos seus pés (nadir), estaremos perante um sistema de coordenadas alt-azimutal. Neste sistema, a altura é medida de -90 a +90 graus (os pontos negativos estão abaixo do horizonte e não podem ser vistos pelo observador). O Azimute é medido de 0 a 360 graus, a partir do ponto cardeal sul, na direção oeste. Neste sistema, a estrela polar fica a uma altitude igual à latitude do local onde estamos (por cima da minha cabeça se estiver no pólo, no horizonte se estiver no equador).

Para medirmos visualmente o céu usa-se, por exemplo, o punho com o braço esticado, sabendo que este corresponde a 10 graus. Assim, 9 punhos fechados irão desde o horizonte até ao zénite.

Para além dos sistemas equatorial e alt-azimutal também se usa um sistema galáctico, em que se escolhe uma linha do Sol até ao centro da galáxia, que corresponde ao ponto zero que divide o hemisfério este do oeste, 90 graus acima e abaixo disso definem-se as longitudes galáticas.

Em qualquer um destes sistemas, é indiferente a terceira dimensão, i.e., a distância para os objectos. Na astronomia só nos é relevante para a definição do posicionamento dos objectos duas coordenadas, utilizamos sempre um mapa bidimensional.

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